Ex-empregada do Facebook delata práticas inadequadas da empresa. Cabe indenização por dano causado à imagem da empresa?

Segundo a advogada Ynaiê Gouveia, a ex-gerente de produtos do Facebook afirmou em uma entrevista essa semana que a rede social destruindo nossas sociedades e causando violência étnica em todo o mundo, por priorizarem o lucra à segurança de seus usuários. Também vazou documentos internos que comprovariam as atitudes perversas praticadas pela companhia.

As ações do Facebook caíram 4,89% na bolsa de valores americana após a revelação da fonte que vazou documentos internos da empresa que culminou com a queda mundial do acesso às redes sociais do grupo e foi iniciado um processo de delação junto a Securities and Exchange Comission (SEC), o órgão regulador de mercado nos Estados Unidos.

Claramente as declarações de uma ex-empregada causou impacto a reputação da empresa em que trabalhou, porém ao tratarmos de uma realidade mais próximas a da maioria dos Brasileiros, a não ser que suas acusações sejam de que a empresa em que trabalhou está causando um dano significativo a sociedade mundial, é preciso ser cauteloso com as opiniões expostas.

Já há condenações em Tribunais brasileiros condenando empregados que falaram mal de suas empresas publicamente e a fundamentação usada nas decisões é de que o direito à liberdade de expressão não pode ultrapassar os limites que preservam a honra e a imagem da empresa.

Confira a matéria completa abaixo:

 

Uma denunciante do Facebook prestou depoimento nesta terça-feira (5) ao Senado dos Estados Unidos para pedir a regulamentação da empresa. A audiência aconteceu um dia após o apagão mundial que afetou bilhões de usuários e expôs a dependência mundial de seus serviços.

A ex-gerente de produtos da rede social, Frances Haugen, testemunhou no Capitólio depois de vazar para as autoridades e o “Wall Street Journal” documentos internos que detalham como o Facebook sabia que seus sites eram potencialmente prejudiciais para a saúde mental dos jovens.

Em seu discurso, Haugen alertou para o risco de não criar novas defesas contra uma plataforma que revela pouco sobre seu funcionamento. Ela também considerou que há um perigo por conta do poder nas mãos de um serviço que se tornou necessário na vida diária de tantas pessoas.

“A empresa esconde intencionalmente informações essenciais aos usuários, ao governo dos Estados Unidos e aos governos do mundo todo”, disse a declaração de Haugen. “A gravidade desta crise exige que saiamos das nossas estruturas regulatórias anteriores”.

Engenheira da computação de formação, Haugen trabalhou para empresas como Google e Pinterest. Em entrevista no domingo (3) ao programa de notícias “60 Minutes” da emissora americana “CBS News”, ela afirmou que o Facebook é “substancialmente pior” que tudo o que já viu.

Durante a entrevista, Haugen acusou o Facebook de “colocar os lucros acima da segurança” e disse que “agiu para ajudar a incentivar mudanças na gigante das mídias sociais, não para despertar raiva”.

O que diz o Facebook

 

Em nota ao G1, o Facebook afirmou que o Senado dos EUA realizou uma audiência com uma ex-funcionária “que trabalhou na empresa por menos de dois anos, nunca liderou uma equipe e nunca participou de uma reunião decisória com a alta liderança”.

“Ela disse mais de seis vezes que não trabalhou nos assuntos pelos quais foi questionada. Não concordamos com a maneira como ela caracterizou muitos dos temas sobre os quais testemunhou”, continuou o Facebook.

 

“Apesar de tudo isso, concordamos em uma coisa: é hora de começar a criar um padrão de regras para a internet”, disse a empresa. “Já faz 25 anos desde que as regras de internet nos EUA foram atualizadas, e ao invés de esperar que a indústria tome decisões que cabem aos legisladores e que afetam toda a sociedade, é hora de o Congresso norte-americano agir”.

Há anos, os congressistas americanos ameaçam regulamentar os negócios do Facebook e de outras plataformas de rede social para enfrentar as críticas de que os gigantes do setor de tecnologia invadem a privacidade, servem de amplificador e caixa de ressonância para informações perigosas e prejudicam o bem-estar dos jovens.

Depois de anos de fortes críticas às redes sociais, sem grandes revisões legislativas, alguns especialistas se mostraram céticos sobre a possibilidade de uma mudança vinda do Congresso.

“Terá que vir das plataformas, terão que sentir a pressão de seus usuários e de seus funcionários”, disse à AFP Mark Hass, professor da Universidade Estadual do Arizona.

Fonte: G1
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